Ah, esse Tim Sweeney… O que faremos para que ele tome juízo? Nós o vemos tentando destruir o tal “monopólio” de mercado que a Steam conquistou desde o seu lançamento. Por isso, o SMESS.COM.BR vai abordar o assunto e falar da história da Epic Games e da Steam, dos erros da Epic e ter uma visão filosófica, um exercício de reflexão, imaginando o que faríamos se pudéssemos voltar a 2018. Vamos começar conhecendo a trajetória da Epic Games Store?
Senta que Lá Vem História
Em 2017, a Epic teve uma brilhantíssima ideia em criar o seu próprio launcher, que é um desastre, inclusive nos tempos atuais e desta atual postagem do SMESS.COM.BR. Serviu inicialmente como launcher da sua maior fonte de renda, a Unreal Engine. Um dos primeiros jogos disponíveis era Shadow Complex e Unreal Tournament (já não disponível). Em seguida, surgiu uma outra grande fonte de renda: o Fortnite. O seu launcher é um dos piores e mais pesados que já existe.
As coisas andavam bem para Epic, até que a birra do CEO, Tim Sweeney, começou a ecoar pelos Twitters da vida, criticando o modelo de 30% da Steam. Inusitado saber que o choro foi apenas contra a plataforma Steam, justamente aquela que domina com muitos anos de conquistas no mercado. As outras plataformas, como GOG, Sony e XBox, também praticam o modelo de 30%, mas a Steam fazer isso, é crime.
2018 foi a próxima etapa para o plano “heroico” do Sweeney foi a criação da sua loja, EGS (Epic Games Store), com o claro objetivo de combater a plataforma “malvadona” Steam. As suas ofertas são tentadoras:
- Cobrança baixa de taxa de 12% aos desenvolvedores e isenção para jogos feitos na Unreal Engine.
- Fornecer jogos grátis semanalmente (Epic paga aos desenvolvedores por resgate).
- Descontos e cashback nas compras (a Epic paga aos desenvolvedores).
- Jogos exclusivos (a Epic também paga e muito).
Porém, o desastre começa quando o consumidor sente falta de um recurso importante que a esmagadora maioria de lojas tem: carrinho. Onde está com a cabeça do Sweeney em lançar uma loja sem ter carrinho? Mas para que carrinho? Melhor mesmo o consumidor fazer curso de Excel ou comprar um caderno e fazer as contas e ver quanto vai dar para comprar uns 3 joguinhos desejados. Falando nisso, nem lista de desejos tinha naquela loja! Mas o bom é que hoje em dia, temos a loja melhorada, com carrinho e lista de desejos, mas é só isso.
Neste embalo, a Epic Games conseguiu fechar contratos tentadores de parcerias com publicadoras para que os jogos sejam exclusivos na sua sagrada plataforma. É daí que você percebe o quão tem desenvolvedoras que deixam o dinheiro acima da paixão em criar jogos. Alguns AAA pularam para fora do barco da Steam e embarcam nessa exclusividade, em destaque o Metro Exodus e a Ubisoft.
Mas olha que bacana! A Epic Games oferece jogos grátis! Onde estão as outras plataformas fazendo a mesma coisa? 😃

A Sua Arquirrival Malvadona
Em 2003, a Valve cria o seu launcher, com finalidade de facilitar os updates de seus jogos, a Steam. Em 2005, a Valve resolveu cometer um grave crime, na visão do Sweeney, em fazer da Steam uma loja de jogos digitais, onde você compra suas licenças digitais para jogar no launcher da Steam. É aí onde a pirataria PCista treme e enfrenta o seu primeiro grande concorrente. Aos poucos, surgem jogos, tanto indies como AAA. Rag Doll Kung Fu, o primeiro jogo terceiro a ser lançado na Steam, e o seu invejável ID 1002. IDs de quatro ou menos dígitos são relíquias na Steam!
A Steam ao longo de sua vida, vem trazendo descontos que enchem o backlog da biblioteca e recursos que facilitam a vida de muitos pcistas.
- 2010 – Steam Cloud: para sincronizar os saves dos seus jogos na nuvem da Steam (primeiramente com Left 4 Dead em 2008).
- 2011 – Steam Guard: recurso que fez o Gabe Newell mostrar o seu login e senha, que ninguém conseguiu invadir.
- 2012 – Big Picture: feito para calar a boca de quem insistia que PC não tem interface para ser usado na TV da sala.
- 2013 – Linux: já havia Steam para Mac, mas o próximo passo foi levar Steam à plataforma do pinguim.
- 2013 – Trading Cards: você joga, ou farma num app e a Steam vai dropando umas cartas. Daí você decide, ou se vai juntar pra subir o nível de perfil, ou vender no Mercado da Steam.
- 2016 – Complete the Set: dependendo da distribuidora, isso te permite comprar um pacote e subtrair o valor caso você já tenha um jogo ou DLC naquele pacote, dispensando a patifaria de pagar novamente pelo jogo que já tem.
- 2017 – Steam Input: para jogos antigos (ou preguiçosos) sem suporte ao seu gamepad favorito. Esta solução faz tradução do gamepad para teclado, mouse e Xinput.
- 2018 – Proton: essa bomba faz uma esmagadora maioria dos jogos Windows serem jogados no Linux, com quase nada de impacto no desempenho. Tem até jogos que rodam melhor no Proton do que nativamente no Windows.
- 2019 – Remote Play: para fazer o teu amigo sem vergonha jogar remotamente contigo, já que ele está distante de ti, ou ele não tem aquele jogo, ou aquele jogo é só multiplayer local.
- 2024 – Steam Families: assim você compartilha a sua biblioteca e a sua família (ou “família” 😏) também.
- De vez em quando, jogos grátis que podem ser resgatados com 1 só clique, sem precisar levar ao checkout.
- O principal carrossel de destaques dos jogos na loja vai de acordo com as recomendações individuais, criadores e curadorias que o usuário segue. As desenvolvedoras terão mais alcance para vender seus jogos.
Estes são alguns dos recursos bem importantes que melhoram a qualidade de vida dos pcistas. Pois uma lista completa de recursos já mudaria completamente o assunto principal desta postagem.
Mas, aí… O que a Steam tanto fez para enfrentar as investidas agressivas da Epic Games? Qual foi a resposta da Steam para que a EGS não tenha tanto sucesso assim em suas vendas? Bom… É simples responder: a Steam fez pouco caso com isso! Tocou a vida, fez lá os seus jogos, o seu Steam Deck, os seus Steam Hardwares, como se a Epic Games não fosse parte de sua preocupação.
A Steam teve suas mancadas, como a sua política abusiva de proibir que o mesmo jogo esteja com preço mais barato em outras lojas. Isso demonstra que até a Steam tem suas inseguranças de mercado. Por conta disso e de grupo de fracassados, a Valve está, talvez, se lascando, enfrentando processos milionários! Parece que vão ter até que arranjar um escritório de advocacia 10 estrelas, ou pagar mesmo, já que fatura bilhões por ano.
Muitos concordam que a taxa de 30% que a Steam cobra é, realmente, muito alta. Mas existe um detalhe que poucos falam. Se jogo vender acima de 1 milhão de dólares, a Steam reduzirá a taxa para 25%, além disso, reduzirá para 20% se vender acima de 10 milhões de dólares. Isso não é tudo! As desenvolvedoras podem gerar a vontade suas chaves de ativação, sem taxas e sem custos adicionais.
A Steam taxar alto não é à toa. O custo para manter a Steam de pé é muito alto, e a Valve sempre guarda algo para investimentos ambiciosos, como os Steam Hardwares e para pagamento de multa.
Apesar disso, o que mais nos interessa é a EGS nos dar jogos de graça!!!
Por que a Loja Epic Fracassou em Vendas de Jogos?
No início de sua loja, uma das estratégias de aplicar exclusividade até que funcionou. O Borderlands 3 vendeu bastante em sua loja. Uma outra bomba que acertou a Steam foi o RDR2 (Red Dead Redemption 2) lançar como exclusivo da EGS. Uma pena que essa bomba que acertou em cheio na Steam, quicou, e explodiu bem na cara da EGS. As exclusividades eram temporárias. RDR2 ficou exclusivo na EGS por 1 mês. O que acometeu a seguir? RDR2 vendeu muito mais na Steam! 🥲
A Ubisoft virou “amiga” da Epic Games e começou a não vender mais na Steam, disponibilizando apenas na EGS e loja própria da Ubisoft. Isso divide muitas opiniões. Uns acreditam que a Ubisoft fez isso pela “revolução” com a Epic, ou uns acreditam que isso foi puro jogo de interesse, para alcançar o público mais para a sua própria plataforma Ubi Play (que agora simplesmente Ubisoft).
Outro modelo de alcance da Epic Games é a gratuidade semanal dos jogos (às vezes diariamente, em eventos especiais). A principal feature que usuários mais devotos são manipulados a repetir pela internet. Uma dádiva nunca vista antes no mercado PC Gaming, até mesmo porque a Epic pagará aos desenvolvedores por cada resgate. Isso é incrível, não é?
Para os usuários, sim. Para desenvolvedoras que já apareceram nessa oferta também! Nem precisam ser brasileiros para fazer a fila do “hihi, levei vantagem”! Agora, para desenvolvedoras que realmente querem vender, isso virou um tormento. A Epic prometia que as levas de jogos grátis seriam apenas no ano de 2019. Até que então decidiu manter essa leva indefinidamente, tornando assim uma loja que serve mais para adquirir jogos grátis do que comprar nela.
Assim, as desenvolvedoras caíram na armadilha voraz do Sweeney. Elas começaram a flopar na EGS, ainda pior quando decidem ser exclusivos. Foram seduzidas pela tentação das taxas baixas e isentas, em vez de fazer parte de um tanque de tubarões, onde se taxa mais, mas onde também se vende bastante.
Qual foi o resultado disso? A Ubisoft voltou para a Steam, talvez com o rabo entre as pernas. Já não se vê mais AAA relevantes se tornando exclusivos da sua loja. A maioria entre jogos grátis são indies que poucos se interessam em jogar. Isso faz usuários acostumarem em resgatar jogos grátis e depois cair fora. Queda de usuários ativos e do tempo de uso do seu launcher. Receita nas vendas continuando sendo muito baixa em comparação ao Steam. A própria Epic admite o fracasso do próprio launcher. Por ultimo, apelo judicial contra Steam: porque Sweeney não sabe jogar e acha que o GabeN tá de hack.
Mas isso tudo é fichinha! O melhor é saber que a EGS tem jogos grátis toda semana! Pra que comprar lá se podemos esperar o jogo ficar grátis? 🤓

O que Faria pela Epic eu Voltasse em 2018?
Vamos então voltar a 2018 e seguir para os próximos anos! Um dos primeiros posicionamentos que evitaria tomar em 2018, seria o barulho. Todos os planos para “sequestrar” o público da Steam seriam mantidos em segredo entre toda a equipe Epic Games. Evitar vazamentos seria prioridade nº1. Nem haveria roadmap revelado no Trello. Empresas mais sérias seguem neste caminho.
Evitaria o desespero em gritar pela internet sobre a taxa dos 12% e outras isenções, tão pouco fazer comparações com Steam. Teria paciência em deixar essa tarefa, de forma voluntária, para desenvolvedores, portais e comunidade. Assim nem haveria o FuckEpic no Reddit. Quem sabe o quanto conseguiria exclusividades sem ter que apelar para contratos? Teriam mais peso a palavra dos desenvolvedores satisfeitos pelas ofertas da Epic Games. A rejeição estaria próximo do zero.
Não quebraria a promessa de entregar jogos gratuitos até 2019, acabando de vez com a leva interminável de jogos semanais no primeiro dia de 2020. Mas isso não seria o fim definitivo. Retornaria com a leva de jogos grátis em eventos especiais e trazendo jogos mais desejados pelo público. As ofertas de descontos e cashback seriam as melhores sacadas. A EGS deixaria de ser uma loja dos jogos grátis e passaria a ser a melhores ofertas para jogadores e desenvolvedores.
Nunca criaria uma distância com a Steam, mas sim uma aproximação. Não para criar aliança com Steam, mas sim para entender todos os passos da minha rival. Estudaria estratégias eficientes para poder conquistar, a longo prazo, o mercado que a Steam tanto domina. Deixaria de fazer muita militância no Twitter e focaria na melhoria de toda plataforma Epic Games. Iria ver como a Steam reagiria se isso der ótimos resultados pra EGS no mercado.
Vamos lembrar que Epic Games tem suas fortes fontes de renda citados anteriormente. Quando chegar o momento certo, faria uma virada de chave. Se puder, compraria GOG e Itch.io, para eliminar concorrentes menores. Faria contratos de exclusividades mais agressivas com melhores distribuidoras AAA. Diminuiria mais a taxa da loja pela metade para os jogos que não iram para Steam. Por ultimo, marketar toda generosidade feitos aos desenvolvedores, para expor ao público quem faz melhor aos desenvolvedores e consumidores.
Pena que a Sujeira Já Está Feita
A proposta do texto é meramente filosófica. Há quem nunca tenha lido e ache que estou delirando ao falar sobre a volta do tempo. Há também quem acredite nessa bobagem e que passe a vida imaginando como seria voltar ao passado. Quem me conhece sabe que sou um estoico aprendiz, e aqui a finalidade é clara: conhecer e refletir. Além disso, cabe a você concordar ou discordar do que foi escrito.
A vida segue. Sweeney não sabe mais o que fazer, a não ser espernear, ao ver o bilionário GabeN fazendo suas pesquisas em seu iate da Inkfish. Enquanto a Steam fatura bilhões, um grupo de fracassados acha que pode derrubá-la com processos judiciais milionários no Reino Unido e nos EUA. A Epic tenta há mais de 5 anos várias estratégias imaturas para apropriar-se da fatia de mercado da Steam. E a Steam? Ah, a Steam… Até hoje se vê lançamentos vendendo a rodo naquela loja malvadona!
Que se dane isso tudo! A melhor parte é que a EGS tem jogo grátis!!! Eba! 🤪

